Dívida pública brasileira pode atingir 100% do PIB em 2027, alerta FMI

Published On: 15/04/2026 20:43

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou suas projeções para a economia brasileira e alertou que a dívida pública do país poderá alcançar o patamar de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) já em 2027. O dado consta no relatório Monitor Fiscal, apresentado nesta quarta-feira (15) durante os encontros de primavera em Washington. O cenário revela uma deterioração em relação às estimativas de outubro passado, quando o órgão previa que esse nível de endividamento seria atingido apenas em 2030.

De acordo com as novas perspectivas, o índice de endividamento deve continuar avançando, chegando a 105,5% do PIB no começo da década de 2030 e atingindo 106,5% até 2031, caso não ocorram mudanças na condução da política fiscal. O levantamento destaca que, durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a trajetória da dívida apresenta uma piora de 12,6 pontos percentuais. Em contraste, o período sob o comando do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) registrou uma redução ligeiramente inferior a 1 ponto percentual.

A metodologia do FMI para o cálculo da dívida bruta brasileira inclui os títulos do Tesouro Nacional em posse do Banco Central. Essa abordagem difere do critério utilizado pelo governo brasileiro e visa garantir maior comparabilidade do indicador no cenário internacional, sendo um dado acompanhado com atenção por investidores e agências de classificação de risco.

O organismo internacional demonstrou ceticismo quanto ao equilíbrio das contas públicas no curto prazo, descartando a possibilidade de superávit durante o atual mandato. Para 2026, o FMI estima um déficit primário de 0,5% do PIB, superando o saldo negativo de 0,4% projetado para 2025. A previsão contrasta com a meta oficial do governo federal, que busca zerar o déficit com uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para cima ou para baixo.

A expectativa do Fundo é que o Brasil inicie uma rota de recuperação fiscal somente a partir de 2027, ainda com um déficit de 0,4%, atingindo o superávit apenas em 2028, com saldo positivo estimado em 0,1% do PIB. Caso essas projeções se confirmem, o país acumulará cinco anos seguidos de resultados negativos. O último superávit registrado ocorreu em 2022, ao fim da gestão Bolsonaro, impulsionado por receitas extraordinárias provenientes da desestatização da Eletrobras e pelo adiamento de despesas por meio da PEC dos Precatórios.



Fonte: Diário do Poder

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