Estelionato declarado: o inelegível Arruda continua sugando dinheiro público
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As eleições de 2022 deixaram um rastro pouco discutido fora dos tribunais: o uso generoso de dinheiro público em campanhas que nunca deveriam ter existido.
Candidaturas barradas pela Justiça Eleitoral consumiram recursos do fundo eleitoral como se a inelegibilidade fosse apenas um detalhe burocrático, e não um impeditivo legal.
No Distrito Federal, o estelionato ganhou contornos emblemáticos.
Dois ex-governadores, José Roberto Arruda (PSD) e Agnelo Queiroz (PT), tiveram suas candidaturas a deputado federal indeferidas às vésperas da eleição, após campanhas estruturadas, publicidade ativa e despesas já quitadas com recursos públicos.
O dinheiro foi gasto. A conta, como sempre, é paga pelo contribuinte.
Os números nacionais mostram que o problema não é pontual. Em 2022, mais de 1.800 candidaturas foram indeferidas, muitas delas após meses de campanha “sub judice”.
Nesse intervalo, candidatos recorreram, apareceram em debates, pediram votos e consumiram verbas do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que distribuiu quase R$ 5 bilhões naquele ano.
O que chama atenção é que o estelionato político não apenas persiste como se normalizou. No DF, Arruda, inelegível até 2032, diz estar no jogo, enquanto a ministra Carmem Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, não colocar a última pá de cal sobre ele.
Faz campanha aberta para o governo local, bancada com o dinheiro do PSD, que sai do bolso do coitado do cidadão contribuinte.
A mensagem implícita é simples: primeiro se faz campanha, depois se vê se a lei permite. Até lá, o eleitor é convidado a acreditar e a pagar a conta.
A legislação atual tolera esse risco calculado. As punições chegam tarde, quando chegam. O dano, porém, é imediato: recursos públicos evaporam e o eleitor é induzido ao erro.
Enquanto não houver regras que impeçam candidaturas inviáveis de acessar dinheiro público, a engrenagem continuará girando.
Fonte: Radar DF

