NÃO DESEJE MAL A NINGUÉM
Compartilhar
Encontrei, semanas atrás, um estimado colega de advocacia e magistério em um dos supermercados de Brasília. Durante a animada conversa ele fez uma observação inusitada: “Está torcendo pelo inferno de um certo personagem da política do Distrito Federal?”. Trata-se de um peso-pesado crescentemente enrolado em investigações policiais. A prisão (preventiva) da figura é algo bastante factível.
Na ocasião, afirmei que as desavenças de cunho moral com o referido figurão do mundo politico não me faziam nutrir nenhuma torcida ou desejo pelo pior desfecho do caso (a tal prisão do elemento). Aproveitei para explicar o porquê de não desejar mal a ninguém, rigorosamente a ninguém.
Disse que durante muito tempo fui adepto da “tese Lulu Santos”. Explico. Existe uma conhecida música do badalado cantor e compositor que diz: “Não desejamos mal a quase ninguém”. Assim, não desejava mal a quase ninguém. As exceções estavam reservadas para aquelas pessoas que inegavelmente adotavam posturas negativas, destrutivas e nocivas.
Parecia, só parecia, que desejar mal a quem fez ou faz o mal, que não presta ou adota comportamentos destrutivos seria aceitável. Esse desejo seria uma manifestação de uma certa reciprocidade. Algo como: a maldade com negatividade se paga.
Foram as inúmeras leituras e reflexões sobre a lei de causa e efeito (o karma, na abordagem oriental) que mudaram a minha forma de ver a delicada questão. Afinal, quem age bem, plantou bem e colherá bem. Quem age mal, plantou mal e colherá mal. Não existe a menor necessidade de torcida em nenhum dos sentidos, sobretudo o negativo. O encadeamento cósmico de causas e efeitos, nessa ou nas próximas vidas, trará a experiência decorrente (efeito da causa). Registre-se, ainda, que o acaso não existe. O acaso é só a não compreensão clara da complexa teia de causas e efeitos tecida por todas as vidas em interação.
Portanto, nutrir o pessimismo e torcer pelo pior é uma armadilha que consome preciosos tempo e energia. Manter uma vibração negativa dificulta o caminho para o equilíbrio emocional. Afinal, atraímos exatamente aquilo que emanamos. Escolher a negatividade não é a melhor decisão.
Creio que essa foi uma das razões que levou Jesus a sintetizar suas lições na seguinte máxima: “ame ao próximo como a si mesmo” (Mateus 22:39 e Marcos 12:31). Um dos componentes (ou ingredientes) do amor é justamente não desejar o mal.
É fundamental compreender, com o devido cuidado, a essência da lição de Jesus. A evolução espiritual é um processo longo e complexo, permeado por experiências inevitavelmente difíceis, desagradáveis e dolorosas. Assim, o amor manifesta-se, inúmeras vezes, por meio de medidas corretivas. Tais providências, longe de serem confundidas com o mal, constituem instrumentos necessários de aprendizado e transformação.
Ademais, várias pesquisas no campo da neurociência indicam que a plasticidade remodela o cérebro alimentado com bons pensamentos para buscar mais “coisas” boas. Os estudos apontam que hábitos como a gratidão e o cultivo de pensamentos positivos reforçam circuitos neurais associados ao bem-estar e ao otimismo. Essa adaptação não se processa apenas no plano emocional. Ela envolve mudanças reais na forma como o cérebro funciona e se estrutura.
Por Aldemario
Fonte: Tudo Ok Notícias

