“Cultura pra Quê?” e os futuros que já vimos
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A experiência da sociedade moderna é a de crise. Guerra, fome, exclusão social. Um cenário generalizado que impacta diretamente na projeção de futuro de praticamente todas as 8 bilhões de pessoas do mundo, muitas delas em busca de caminhos e estratégias para viver uma vida mais democrática, justa e solidária.
Diante do cenário imposto, esse projeto de futuro parece algo inatingível. Entretanto, esse tipo de futuro existe e já foi experimentado. A afirmação foi feita neste sábado (25/4), no último painel do Seminário Internacional “Cultura pra Quê?”, por Ailton Krenak, liderança indígena, sociólogo e uma das vozes mais importantes do pensamento contemporâneo, e Rosane Borges, pós-doutora em comunicação, professora da PUC e líder de raça e gênero, esse tipo de futuro existe e já foi experimentado.

“É preciso dar voz à colapsologia não no sentido do fim dos tempos, mas no sentido de que é o fim de um mundo, e não nos cabe pensar em outros mundos possíveis, porque esses mundos já existem. A gente só precisa validar esses mundos. O mundo dos negros, o mundo dos indígenas”, explica Rosane Borges.
Krenak alerta que é preciso “ouvir a Terra”, como sempre fizeram os povos ribeirinhos, quilombolas, indígenas. “Se a gente não for capaz de entender o que a Terra quer, nós vamos ser percebidos por esse organismo inteligente e que tem agência como um vírus. E o que um corpo saudável faz com um vírus? Joga fora!”, afirma.
Ao reunir diferentes perspectivas, o último painel do seminário internacional “Cultura pra Quê” mostra que a construção de futuros mais justos não parte do zero, mas do reconhecimento de experiências já existentes. O desafio, segundo os palestrantes, não é pensar estratégias para um futuro, mas reconhecer que ele está no passado, nas práticas e saberes milenares de comunidades e povos historicamente silenciados.
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Fonte: Tudo Ok Notícias

