Transformando vidas com a Terapia Comunitária Integrativa
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Por Maria José Rocha Lima*
O fortalecimento da saúde mental no Distrito Federal passa, necessariamente, por iniciativas comunitárias que saibam ouvir, acolher e transformar realidades. Nesse cenário, o Movimento Integrado de Saúde Comunitária do Distrito Federal destaca-se como uma experiência concreta e bem-sucedida de cuidado coletivo. Mais do que uma organização, a MISMEC DF representa uma rede viva de solidariedade, escuta e reconstrução de vínculos sociais em tempos marcados pelo sofrimento psíquico e pela fragmentação das relações humanas.
Atualmente presidida pela terapeuta Talita Raminelli, a instituição mantém atuação consistente na promoção da Terapia Comunitária Integrativa (TCI), metodologia reconhecida por seu impacto positivo na saúde mental coletiva. A realização da 33a turma de capacitação em TCI, Tecendo Laços, com início ano passado e conclusão neste mês de maio, parceria entre a Mismec-DF, Teia Conexões Sustentáveis e Abratecom (Associação Brasileira de Terapia Comunitária Integrativa), demonstra não apenas a continuidade do trabalho, mas também o compromisso com a formação de novos agentes de cuidado.
Nesse processo formativo, destaca-se a atuação de Fátima Nery, que, como coordenadora e secretária executiva da MISMEC, tem reunido uma equipe de formadoras de excelência: Helenice Bastos, Regina Melo, Sarah Coelho e Dgene Fernandes. Mais do que domínio técnico, essas profissionais se destacam pela capacidade de acolhimento, escuta sensível e presença humana — elementos essenciais para o verdadeiro cuidado em saúde mental.
A MISMEC DF não atua isoladamente. Sua força também reside nas parcerias estabelecidas com instituições públicas, organizações da sociedade civil, unidades de saúde, escolas e projetos sociais. Essas parcerias ampliam o alcance das ações e permitem que a TCI chegue a diferentes territórios, especialmente aos mais vulneráveis. Trata-se de um trabalho em rede, no qual o saber acadêmico se encontra com o saber popular, valorizando a experiência de vida de cada participante.
Um dos pilares da atuação da MISMEC são as rodas de TCI, espaços coletivos de fala e escuta nos quais as pessoas compartilham suas dores, desafios e estratégias de superação. No Distrito Federal, são realizadas dezenas de rodas semanalmente, distribuídas por diversas regiões administrativas. Cada roda é um microcosmo de cuidado: ali, o sofrimento individual encontra ressonância no coletivo, e o que antes era silêncio transforma-se em palavra, pertencimento e elaboração.
Os impactos desse trabalho são profundos. Em um contexto no qual o acesso à saúde mental ainda é limitado e, muitas vezes, medicalizado, a TCI oferece uma alternativa humanizada e acessível. Ela fortalece vínculos comunitários, reduz o isolamento, previne agravos psíquicos e promove autonomia emocional. Pessoas que antes se sentiam invisíveis passam a se reconhecer como protagonistas de suas próprias histórias.
A população do Distrito Federal precisa — e muito — dessa escuta qualificada e desse acolhimento genuíno. Em tempos de ansiedade crescente, solidão e vulnerabilidades sociais, iniciativas como a MISMEC DF não são apenas importantes: são indispensáveis. Elas devolvem às pessoas algo fundamental, muitas vezes negado: a possibilidade de serem ouvidas sem julgamento.
A experiência mostra que a escuta transforma. E, quando essa escuta é coletiva, ela não apenas muda indivíduos — transforma comunidades inteiras.
*Maria José Rocha Lima é professora, mestre em Educação e doutora em Psicanálise. Foi deputada estadual de 1991 a 1999.
Fonte: Tudo Ok Notícias

